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Teatro Para Alguém (e Cinevivo)

17/08/2010

Aproveitando que o site está de cara nova e que hoje mesmo tem uma estreia, quero falar sobre o Teatro para alguém.

Para começar, esse é um projeto que visa a democratização do teatro através da internet. Creio eu que os criadores estavam cansados de fazer peças para dez pessoas na plateia. Porque é assim, o teatro é uma arte de público inconstante e, o que é mais frustrante ainda, seu público é feito quase somente por pessoas do teatro. Chega disso, né? Foi o que eles pensaram. Por isso, a proposta é: produzir espetáculos transmitidos ao vivo pela internet, gratuitamente, e que depois ficam lá para sempre, disponíveis para quem quiser assistir.

Nesta altura do campeonato, já não posso mais dizer que o Teatro para alguém seja o que entendemos, neste blog, por artista amador ou pouco conhecido. Eles estão nesta saga desde 2008, com quase 40 peças inéditas no ar, com a participação de pessoas renomadas da literatura, do teatro e do cinema – como Lourenço Mutarelli, Mário Bortolotto e Zé do Caixão – e até ganharam o prêmio Shell de 2009 na categoria especial “pela iniciativa de criação cênica via internet”. Além dos autores conhecidos, eles também estimulam e dão espaço a novos dramaturgos, o que é muito legal da parte deles.

Eu sei o que vocês estão pensando agora. “Mas isso é teatro?” Não sei, não importa. Talvez as definições de arte como nós conhecemos há muitos anos sejam um pouco limitadas para se falar sobre a arte hoje. Se começa pelo teatro, passa pelo vídeo e acaba na internet, seria muito redutor delimitar essas fronteiras. Se é teatro, se é cinema, se é televisão, para quê pensar nisso?  Talvez seja um pouco de tudo, talvez seja nada de nada, simplesmente porque é algo novo. É uma linguagem nova que foi criada para esse suporte específico, a internet.

Um bom livro que aborda esta discussão é Arte e Mídia de Arlindo Machado.

“Se toda arte é feita com os meios de seu tempo, as artes midiáticas representam a expressão mais avançada da criação artística atual e aquela que melhor exprime sensibilidades e saberes do homem do início do terceiro milênio”.

Neste livro, Arlindo Machado recupera o filósofo já citado neste blog em um post anterior, Vilém Flusser, com sua teoria da Filosofia da caixa preta, e, no final, ele exprime muito bem a discussão da convergência e divergência das mídias e de como é pobre delimitar essas fronteira hoje em dia.

Vocês já ouviram falar sobre o cinevivo? Para quem não conhece, é o que eles chamam de “cinema explícito”. É um longa-metragem que, na verdade, é transmitido no exato momento em que está sendo filmado. O filme Fluidos foi exibido em maio de 2009 no Centro Cultural de São Paulo, com captação, edição e exibição simultâneas. Agora, isso é cinema?

Até que ponto o Teatro para alguém é cinema ou vídeo e o Cinevivo é um teatro filmado? Fica aí a reflexão.

Aproveitem para desfrutar deste acontecimento e conhecer o que é o teatro na internet, porque hoje estreia Felicidade, de Bárbara Araújo, às 21h, e O corte, de Paloma Vidal, às 21h30, ao vivo no Teatro para alguém.

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