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A urgência de uma filosofia da fotografia

16/08/2010

Uma humilde reflexão sobre o texto de Vilém Flusser (o último capítulo do livro Filosofia da caixa preta).

[Acesse o texto em PDF: A urgência de uma filosofia da fotografia]

Será mesmo o fotógrafo escravo do aparelho (máquina fotográfica)? Sim, é verdade que a máquina controla o número de possibilidades físicas da captação da luz. Entretanto, ampliando a discussão, à grosso modo, somos todos escravos dos aparelhos e programas que nos cercam. Deve-se considerar, porém, que não é apenas a função exercida pelos aparelhos que determina o resultado final da obra, apesar de isso poder acontecer. O verdadeiro responsável pelo impacto da imagem é o olhar do fotógrafo e a maneira como ele direciona o aparelho a fim de tentar comunicar esse olhar específico.

Experimentações com o aparelho, conhecendo-o e desconstruindo-o, são importantes e até mesmo essenciais para enriquecer o meio artístico (no caso, o fotográfico). Deve-se manter em vista, apesar disso, que os resultados obtidos através desses experimentos, quando considerados apenas como imagem, podem ter seu significado esvaziado. A simples imagem proveniente de uma experimentação pode ser facilmente copiada e reproduzida por alguém que conheça os mesmos mecanismos que o fotógrafo vanguardista.

Concluímos, assim, que a singularidade de uma imagem não é determinada pela técnica, mas pelo olhar do artista, inserido em um contexto específico, e pelas informações que envolvem esse momento. Um exemplo claro do que tentamos argumentar são as fotografias de Emir Ozsahim, um fotógrafo amador publicado em um post anterior, com um conhecimento razoavelmente profundo do funcionamento do aparelho máquina fotográfica, que, entretanto, não o desconstrói. O que torna suas imagens únicas é o olhar que ele tem sobre seus objetos, carregado até de uma certa inocência amadora.  O importante é não haver uma alienação por parte dos artistas em geral sobre os limites de sua liberdade, mas, além dessa consciência, é necessário reconhecer o valor da espontaneidade artística.

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